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Quando morrer, talvez tenha uma ideia formada sobre mim, se o destino me der esse luxo.

Monday, April 17, 2006

Longe Demais


Longe demais...

O leito já não me descansa
Já não me traz a bonança
Pelo contrário, devolve-me sombras antigas
Memórias que pensava já perdidas.

O Tempo, com quem vou conversando
É o meu fiel companheiro que regista os meus ecos
E anui calado às palavras que esqueci.

Sinto-me esvaído em mim
Destituído de quereres
Seco de emoções e de uma saudade indesejável
Como se tivesse mergulhado numa insónia interminável.

A vida parou com a tormenta
A Lua deixou de me sorrir
E já nem o Sol me alimenta
No meu sonho caio e me deixo ir
Na minha Solidão embriagante desmaio.

Sem que tenha forças sequer para reagir
Quero e espero por submergir
Respirar cada vez mais em vão.

Sem que tenha forças sequer para tirar os olhos do chão
Vou ficando dormente e sem imaginação
Cada vez mais inerte e distante.

Sem que tenha forças sequer para estar triste ou descontente.
Tento ir para o horizonte onde sempre quis estar
Mas é longe demais, mesmo para o meu olhar.

Vou embora
Não sei para onde nem se também vais
Apenas que vou para longe
Onde tudo é longe demais...

Eugénio Rodrigues
(foto de Rosalina Afonso)

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Maravilhoso! Quero mais!
Quero muito mais!!!!

Quero ler todos os outros e quero incentivar-te a partilhares todos eles com os anónimos leitores de papel!

*****!!!

Beijos
Sita

4:53 PM  
Blogger Pierrot said...

Bjinhos Sita
Volta sempre
Eugénio

12:18 PM  
Anonymous Anonymous said...

LINDO... PERFEITO!
É SIMPLESMENTE MARAVILHOSO, TUDO QUE ESCREVES...
PARABÉNS!!!

CAROL ARAÚJO.

12:14 PM  

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