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Quando morrer, talvez tenha uma ideia formada sobre mim, se o destino me der esse luxo.

Friday, May 05, 2006

Crónica Filme - Crash



Crash (Colisão)

Por vezes, para nos sentirmos notados, ou simplesmente para provocarmos alguma reacção neste “cinzentismo” da vida, temos que tocar os outros, quase “bater-lhes” tal é a indiferença ou o alheamento a que nos sujeitamos na “roda viva” da vida.

Esta é a 1.ª grande ideia de Paul Haggis neste “enorme” filme a que deu o nome de “Crash” e que tão bem a arquitecta através de uma rede de cadeias em que a causa se mistura com o efeito, onde defende a ideia de que ninguém é inteiramente mau ou absolutamente bom, e que não nascemos com nenhuma dessas ideias, antes, somos animais que reagimos instintivamente contra uma sociedade que nos esmaga.

Este é um filme de pequenas histórias, todas elas muito bonitas, quase “lollaby’s”, em que as pessoas aparentemente odiosas são capazes dos gestos mais bonitos e aqueles que se comportam segundo os canônes normais do senso comum, capazes de ultrapassar essa ténue linha que os segura nos limites do normal.
Um detective cuja mãe lhe destroça a vida enquanto luta inutilmente contra o racismo, um polícia racista e vitima do racismo com um pai que lhe rouba a alegria da vida, um persa que brada contra a xenofobia enquanto ameaça um mexicano de arma na mão, um serralheiro mexicano que tudo engole para que a sua filha possa ter um pai e um futuro honrado, um advogado sem escrúpulos que molda ou é vitimado pela sua esposa, uma esposa irascível mas que mais não precisa do que alguém capaz de um gesto amigo com ela, para que ela própria se dispa dessa agressividade, um homem da televisão negro que se deixa domar pela sociedade racista e poderosa enquanto se revolta com um simples piscar de olhos, dois ladrões filósofos enraizados num profundo complexo de inferioridade, entre outros personagens que vão desfilando e mesclando ao longo deste filme brutal.

Paul Haggis retrata-nos uma sociedade onde todos engolimos qualquer coisa, por muito bons ou maus que sejamos, em função de uma posição social, do abuso de autoridade, do racismo, da chantagem, dos jogos de interesses, onde até o mais forte tem de ceder.
Tudo está sempre tão perto da violência, da agressividade, dos feitios impossíveis, e no entanto, apesar destas tragédias humanas, oferece-nos o outro “lado” dos bons e dos maus e a razão pela qual são assim, levando-nos a pensar que afinal o vilão é uma pessoa boa e aquele que se pugna pelo bem é alguém capaz de matar em determinadas circunstâncias.
Estas histórias provocam-nos um turbilhão de emoções que vão da revolta à paz, da lágrima ao sorriso num só “frame”.

Para ajudar, a arte de um filme bem construído com passagens de cenas fantásticas, de porta para porta ou de carro para carro e onde nem sequer falta uma bonita banda sonora que nos embala e nos transporta para as várias cenas e uma panóplia de grandes actores como Don Cheadle, Matt Dillon, Sandra Bullock, entre outros.
Vi no filme alguns pontos de contacto com o “21 Gramas” de Iñarrito e está, seguramente, no top 5 dos filmes de 2005.
Meus amigos, mais um filme absolutamente imperdível.

Eugénio Rodrigues - 26.09.05

4 Comments:

Blogger RealSmile said...

amei o filme
*

1:06 AM  
Blogger Pierrot said...

Obrigada.
Talvez por isso o filme conquistou o mundo da 7.ª arte.

4:53 PM  
Blogger redonda said...

Ainda não o vi...

10:57 PM  
Blogger Pierrot said...

Mas vê-o...imperdível!
Está no meu Top 5
Bjos daqui
Eugénio

10:52 AM  

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