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Quando morrer, talvez tenha uma ideia formada sobre mim, se o destino me der esse luxo.

Friday, May 05, 2006

Crónica Filme - Finding Neverland



FINDING NEVERLAND

Há duas formas de se sentir atraído para ver este filme, uma porque tem sete nomeações e outra, porque se está de alguma forma familiarizado com a temática da obra Peter Pan e se gosta.
Seja como for, só podemos sair de uma forma deste filme, ou seja, emocionados e até um pouco chocados com os vários dramas existentes no filme e que tão bem se interligam com a história de Peter Pan.
A exemplo de Peter Pan, este filme aborda questões tão nobres e ao mesmo tempo tão esquecidas como o são a infância. Pensamos como adultos, transformamos as crianças em adultos e deixamos que as crianças se transformem em adultos. O limiar da infância e da sua inocência que choca inevitavelmente com o momento normalmente duro e triste em que passamos a ver o mundo de outra forma. A beleza que se perde com a forma materialista de passarmos a ver o mundo, só se recupera à custa da imaginação, da capacidade de nos abstrairmos da realidade crua que nos circunda e da forma como olhamos para os pormenores da vida que nos tocam todos os momentos e que, esses sim, nos são capazes de dar a visão da alma. Viver também é fingir, é ver com outros olhos e buscar aquilo que deixamos de ver quando nos passamos a preocupar com o supérfluo. Esta realidade, para alguns, alternativa, está sempre lá, só precisamos de estar atentos aos pormenores.
J. M. Barrie, escritor dramaturgo magistralmente interpretado por J. Deep, é um homem, como a própria obra que dá origem ao filme se intitula, um "Homem que foi Peter Pan", que esteve atento aos pormenores e que ousou sê-lo. Tinha tanto de sensível como de génio e isso custou-lhe quase tudo. A História nunca muda e sempre trata mal os seus visionários. Estes foram ou serão, sempre incompreendidos.
Adjectivar este filme é muito difícil e inútil.
Chamo-vos a atenção para a sua fotografia e planos da câmara, como por exemplo, uma cena filmada do chão para o céu em que vemos J. Deep sentado debaixo de uma arvore, ou mesmo no final, quando se filma pelas costas, Peter sentado num banco de um extenso jardim.
Nota final para a interpretação de Peter, um miúdo de tenra idade que cresceu depressa demais.
Impossível não gostar dele, impossível não emocionarmos quando o vemos chorar, quando vemos uma criança assim a chorar.
Realmente muito bom.
Confesso que a obra Peter Pan sempre me passou um pouco ao lado, pelo menos nos seus detalhes mais tocantes, até porque estamos mais sensibilizados para o "Principezinho" de Exupery, ou o "Alquimista", de P. Coelho.
Porém, já escolhi a minha próxima leitura.
Será Peter Pan e a sua magia.
Eugénio Rodrigues

5 Comments:

Blogger Nani said...

Vi este filme antes de estrear... Muitos vi depois e mentiria se dissesse que me lembro do filme "como se o tivesse visto ontem!"
Não me lembro de todas as imagens! E os dialogos perderam-se no tempo!
Mas a angustia que me fez sentir,
agora que o filme é apenas uma indistinta memória, permanece exactamente igual!

ps- vou reve-lo!!!

4:15 PM  
Blogger Pierrot said...

Fazes bem Nani Pinto:

Este filme é algo que ficará na minha memória, ainda que algo perdida no tempo como acontece contigo.
Retive o essencial, o que me provocou, a lágrima que "perdi" ao ver um Peter tão parecido com algumas das minhas sensações e ideiais.
Gostei de te ver por aqui, quase que no meu sotão do cantinho.
Giro, também fiz o mesmo contigo...
Coincidências ou destino?
;-)
Bjos daqui
Eugénio

4:04 PM  
Blogger redonda said...

Eu adorei o livro e os desenhos animados desde criança. Quando era pequena queria que o Peter Pan aparecesse a voar pela janela do meu quarto e sonhava que teria a coragem de o seguir.
Também gostei do filme.

10:59 PM  
Blogger Pierrot said...

Eu pouco pensava no Peter Pan.
Acredita que me passava ao lado...
até então!
Bjos daqui
Eugénio

10:53 AM  
Blogger MARIAESCREVINHADORA said...

Eugênio,

Assisti duas vezes esse filme. Quando falaste de tua crônica sobre ele, não liguei uma coisa à outra. Adorei cada cena, Johnny Deep dá show de interpretação e faz par com Kate Blanchet. O menino que está com ele na foto se destaca entre as crianças, não lembro quem era a atriz que fez papel de avó...
Tua crônica está ótima!
Beijo,

Conceição

6:51 PM  

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