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Quando morrer, talvez tenha uma ideia formada sobre mim, se o destino me der esse luxo.

Wednesday, May 17, 2006

Não ficarás só...




Não ficarás só pois tens-te a ti

Sei que vais detestar-me
Tenho a certeza que me odiarás
Que passarás a ter as lágrimas
Como companheiras da saudade

Sinto que te magoarei
Seguro da tua dor e desgraça
A tua muleta será desmembrada
A tua porta ficará escancarada

Mas não posso mais voltar
Já não quero à casa regressar
No voltarei a ver-te despido
Das barreiras da intimidade

Perdoa-me pois não voltarei a casa
Sei que o teu sacrifício e a tua dor
Serão tuas companheiras de viagem
Serão páginas do passado que esquecerás

Em breve deixarás de te sentir só
Pois ter-te-ás como teu companheiro
Evitarás em breve de clamar por mim
Deixarás de sentir falta da minha presença

No posso é ficar mais nem um segundo
Só para que possas sonhar comigo
É um sacrifício que já não sustento
Ainda que tires a minha foto da tua parede

Por favor peço-te que me perdoes
Mas o teu calor gela-me as veias
O teu frio corta-me e seca-me a Íris
Se ficar, morrerei como o nosso amor

Tenho de fugir para bem longe
Fugir de ti e escapar de mim.
Sei que te dói na alma e no coração
Mas é altura de deixar falar a razão

Por favor, acredita que não te iludo
Verás que não tardarás a esquecer-me
E por certo acabarás por me agradecer
Por te libertar para uma vida melhor

Vai, voa para longe, para os antípodas daqui
Vais ver que esta nossa separação é uma benção
E que este nosso ultimo fôlego de coragem
Mais não é do que o raiar de um novo dia

O Sol que traz a vida vai continuar a nascer
E as estrelas continuarão cintilantes e a brilhar
Em breve voltaremos a ser felizes e realizados
Porque a vida é uma balsa repleta de surpresas

Se hoje me abominas e amaldiçoas
Amanhã serás o meu nobre irmão
Que me salvas e proteges dos impuros
Sempre pronto para me dar a mão

Ou então, perdurarei na tua memória
Como uma imagem de bons momentos
Imaculada e conservada religiosamente
Para que o fim jamais possa vencer o passado

Não permitirei que o epílogo destrua as lembranças
Há que preserva-las para que possamos renascer
Será sempre bom relembrar a tua voz e os teus olhos
Como parte do passado e não do futuro agonizante

Vai, que eu tenho de voar para longe
E sempre que quiseres lembra-te de mim
Como uma festa cheia de cor e luz
Que jamais poderá terminar
Eugénio Rodrigues
(foto de Rosalina Afonso)

6 Comments:

Blogger RealSmile said...

:) Muito bonito.. por acaso escrevi um post similar.. por vezes temos que escolher caminhos que são um investimento a longo prazo pois nem sempre nos trazem sorrisos imediatos, muito menos aos que nos acompanharam até ao ponto de separação.
*

1:03 AM  
Blogger Pierrot said...

Obrigada pelos teus sábios comentários.
A razão por vezes tem de vencer...!
O teu blog está um estouro.
Parabéns

4:48 PM  
Blogger RealSmile said...

Obrigada :)

11:36 PM  
Blogger Pierrot said...

You welcome, and give me a real smile
:-)
Bjs
Eugénio Rodrigues

12:16 PM  
Blogger redonda said...

Muito bonito e consolador. Espero que possa vir a ser assim.

10:53 PM  
Blogger Pierrot said...

Todos nós somos assim um dia, basta estarmos atentos...
Bjos daqui
Eugénio

10:49 AM  

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