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Quando morrer, talvez tenha uma ideia formada sobre mim, se o destino me der esse luxo.

Monday, November 10, 2008

Sem Ar




SEM AR


Perguntas-me como é suposto respirar sem Ar,
Como é viver num mundo em que sempre tapas a tua boca?
Empreendes lutas de verdade por uma felicidade qualquer
Que se desfaz à custa de mil moinhos de vento.
São como gigantes que se erguem para espezinhar os teus sonhos
Para reduzir a pó os teus parcos sorrisos
E para te lembrar que tu já morreste
E que não podes viver novamente.


O vento que te cruza o rosto é de um Ar que não tens
A côr que te carrega a alma é cinzenta de um chumbo triste e frio.
Não tens culpa mas também não precisas
Pois quem vive longe da sua vida
Apenas precisa de acordar todos os dias
De se levantar para seguir um caminho qualquer.
De narrar as histórias dos outros e as suas alegrias
De escolher, algures entre o nenhures e o que vier.


Ora...não és Poeta nem coisa nenhuma!
És um Espantalho a quem nem os corvos respeitam.
Não és Palhaço, não tens piada, nem és inteligente
És um falhado, nem um pouco mais do que mais alguém!
Morrerás anónimo pois mais não mereces
E sobretudo aliviado por não teres glória nem ter de regressar
Foste condenado a não teres lágrimas nem preces
A viver num mundo em que não tens Ar para respirar.


Eugénio Rodrigues, Novembro 2008

Foto de Rosalina Afonso

Sugestão musical No Air - Jordin Sparks feat Chris Brown

43 Comments:

Blogger gotadevidro said...

O mundo é asfixiante realmente, mas se olhares em lentidão à tua volta,verás que no teu caminho há alguns locais em que podes respirar...


um beijo

4:07 PM  
Blogger Bandys said...

Saio do meu esconderijo pra ler voce...Pois ler voce é um balsamo tambem.

Morrerás anónimo pois mais não mereces
E sobretudo aliviado por não teres glória nem ter de regressar
Foste condenado a não teres lágrimas nem preces
A viver num mundo em que não tens Ar para respirar.

Beijos

4:10 PM  
Blogger Nogs said...

Autch!

Que murro no estômago.

Fiquei sem ar e vivi no paraíso por momentos - depois voltei à terra.

BeijO

4:37 PM  
Blogger Sol da meia noite said...

Surpreendente o realismo deste texto.

Assim se vive, se vai vivendo... não ponho dúvidas.
Aqui encontro o percurso de muitas vidas.
Tantos são os que vivem sem ar, ao sabor de ventos contrários que tudo destroem.
E tavez a única saída, seja mesmo ir vivendo...


Amigo, um beijinho deixo *

5:02 PM  
Blogger vero said...

Olá meu amigo, há quanto tempo!!!
A vida é assim mesmo feita de encontros e desencontros, mas agora que me "encontraste " novamente vou já colocar um link no meu blog para a tua página :)

Quanto a este teu escrito, forte muito forte, li dem9oradamente cada frase, cada palavra... Estou a passar uma fase mto dificil em que preciso tanto de Paz de Alma...
Tocou-me muito este teu poema, muito mesmo!

Beijinhos e volta sempre ***

5:32 PM  
Blogger pecado original said...

E com isto acabo de respirar fundo.
Um beijo,
M.

6:49 PM  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Não lia este poema muito mas muito tempo.Eu respiro sem ar...

um bjo P

8:10 PM  
Blogger Fa menor said...

Poema belo de triste!...

Sem ar somos condenados a viver muitas das vezes, mas nada que não possamos sempre tentar contrariar... aliás temos o direito e o dever de lutar pelo oxigénio que nos devolva as cores ao rosto!

Beijinhos

9:13 PM  
Blogger Marta said...

Ás vezes, sufoca-se...
Porque não se sabe o rumo a tomar...ou não se quer??
Poema forte....
Obrigada pela visita...
Beijos e abraços
Marta

9:38 PM  
Blogger Xanusca said...

é verdade! voltei à carga!
E para um homem de t-shirt de cavas escreves muito bem!
nunca pensei...
mangas cavas...
:D

11:29 PM  
Blogger NAELA said...

O teu poema é mesmo sibilino...profundo e evoca os sentimentos que tocam a alma no mais intimo de nos!
Adorei sentir as tuas palavras
Beijo doce

11:15 AM  
Blogger Eudemim said...

Mas olha que senti uma lufada de ar quando te li.

Bjs daqui

8:41 AM  
Blogger Chinha said...

Às vezes também caminho sem ar.........
Olho à volta e não respiro, não vejo a cor , choro sem lágrimas.

bjinho

4:39 PM  
Blogger Som do Silêncio said...

:)
Já tinha saudades de te ler...
Felizmente encontro-te mais uma vez, e espero que seja para não te perder de novo.

Beijo terno

Som

6:19 PM  
Blogger vida de vidro said...

Poema duro que nos atinge em cheio. Para lá da beleza. Cortante, quase. Gostei de te (re)encontrar. **

10:50 PM  
Blogger Chinha said...

Sonhar é uma forma de respirar a vida...

jinho

12:43 PM  
Blogger stamina said...

just breathe :)

http://www.youtube.com/watch?v=USFr5VeLQ2o

7:53 PM  
Blogger Apenas eu said...

Boa escolha a Tua!
Até nos falta o ar...

há quem viva como se nunca fosse morrer e há quem viva como se já tivesse morrido...

Profundo este sentir da Vida.

beijo meu

11:29 AM  
Blogger vero said...

Passei para deixar um beijo...
Bom Fim-de-Semana

12:31 PM  
Blogger João JR said...

Amigo, há quanto tempo q n tenho tempo de visitar-vos..
só trabalho!!!

Eu estou meio como o teu post...sem ar...!
nem sei..

Adorei reler-te e deixo te o meu abraço de saudades:)

1:34 AM  
Blogger Vanda said...

Eugénio,

Começo por agradecer a visita ao Over :)


O eu que somos e vamos sendo, sempre em constante construção...
Lá dentro a essência que sempre nos guiará...porto de abrigo, ao qual voltaremos sempre.


Viver sem ar?

Morrer lentamente na correria da vida? Não!

Eremitar.

:)

10:18 AM  
Blogger Carla said...

faltou-me o ar na leitura do teu poema...cruel, real, vivido...asfixiante, mas que nos obriga a pensar
beijos

12:12 PM  
Anonymous cõllybry said...

Silênciar às vezes é o melhor,já calar o que nos magoas, não direi...

Este ar que cheiro pestilento às vezes...

Quando o amor morre,só mesmo encontrar outro novamente, o coração tem espaço...

Beleza mesmo triste,em Teu poema...

Doce meu beijo,Pierrot

7:40 PM  
Blogger gotadevidro said...

Deixo um ar puro, para olhares à tua volta e sentires o respirar da vida....

beijo de uma gota

3:39 PM  
Blogger Andreia said...

Realmente impressionante a realidade da música!

Obrigado pela visita!
Beijo

5:41 PM  
Blogger vero said...

Olá meu amigo,
é verdade que quer queiramos ou não as palavras reflectem o nosso estado de espírito...
Confesso que não tenho andado numa fase nada boa, mas já estou a dar a volta por cima e o sorriso está a surgir, no entanto, a minha escrita é assim mesmo. Vou buscar ao fundo da minha alma tudo aquilo que ela possui e da alma fluem as palavras.
Esta sou eu no meu íntimo...

Deixo-te um sorriso :)

Beijinhos

5:52 PM  
Blogger Felinea said...

e que bom que as calçadas portuguesas me trouxeram aqui.

lindo teu blog.

ronrons, caro pierrot!

1:08 AM  
Blogger Pearl said...

Gostei de ler-te...vou voltar...


beijo

10:13 PM  
Blogger Um Momento said...

Sem ar fico ao ler as tuas palavras... a intensidade dos seus sentires
Estou de volta
Grata... por tudo

Beijo... imenso em carinho agradecido:)

(*)

10:51 PM  
Blogger Chinha said...

No romper da madrugada, no surgir da aurora brilhante......respiro a noite.

Bom fim de semana

bjinhos

3:07 AM  
Blogger pecado original said...

Como é ter «genio» num nome que começa por Eu?

6:27 PM  
Blogger Nogs said...

Então autch e bom fim-de-semana.

BeijO

8:07 PM  
Blogger Bill Stein Husenbar said...

Neste mundo tão ingrato, ainda há espaços maravilhosos. Basta procurar.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

10:32 AM  
Blogger intimidades said...

lindissimo

Jokas

Paula

11:15 PM  
Blogger tulipa said...

Não há nada mais fascinante e cativante do que conhecer in loco novas culturas.
Assim o fiz mais uma vez.
Sou uma privilegiada, Deus tem sido meu Amigo por me proporcionar momentos tão magníficos.
Consegui realizar mais um sonho na minha vida.

Noutras áreas a coisa não corre muito bem, mas a Esperança é a última a morrer, continuo diariamente na luta por aquilo que quero, hei-de conseguir.

Beijinhos.
Boa semana.

Também regresso HOJE depois de 12 dias ausente.

2:09 PM  
Blogger • predicativa said...

agradeço os elogios.
coisas boas por aqui também.
quando ao título, é uma resposta
que ainda não tenho.

5:47 AM  
Blogger Ana Rita said...

"Consagras-me com respostas mudas,
Às bifurcações que te manifesto,
Mas que se decifram,
Por aí,
Nas laudas em branco,
De uma brochura já corroída,
Acorrentada à alucinação,
Neste cosmos de literaturas."

:) Beijos

8:37 PM  
Blogger Chinha said...

Aqui numa passagem.........Numa procura

Deixo um bjinho

3:54 PM  
Blogger gotadevidro said...

Vinha espreitar para ler novo poema.....

Falta de tempo????

um beijo

1:34 AM  
Blogger vero said...

Passei para te "ler" mas vejo que não há nada de novo :) também acontece comigo muitas vezes...


Deixo-te um beijo entao meu amigo

7:32 PM  
Blogger Mari said...

Olá!

Não consigo me imaginar sem ar e nem consigo tapar a boca....
Em verdade, muitas vezes, lutei por felicidade sem sentido, vazias.
Que se desfizeram com o tempo e com o vento de tão frágeis.
Bonito e triste poema, mas todos são assim.
Para ser poema há uma mistura de sentimentos.
Abraços.

3:18 AM  
Blogger Bill Stein Husenbar said...

É triste sentirmo-nos assim.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

10:53 AM  
Anonymous Anonymous said...

Excelente poema

4:02 PM  

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